/ POESIA PRATO DO DIA /
/ POESIA PRA TODO DIA /
NO LINK ABAIXO VOCÊ TEM ACESSO
A TODOS OS 230 “POESIA PRATO DO DIA”
GRAVADOS DESDE O INÍCIO DA PANDEMIA
ATÉ 30 DE DEZEMBRO.
O BLOG DO CESAR CARDOSO
NESTE DOMINGO, 27 DE DEZEMBRO, NOSSO SERVIÇO DE
DELIVERY ENTREGA MAIS UM POESIA PRATO DO DIA A DOMICÍLIO. NO PACOTE, PIZZA DE LITERATURA
COM COBERTURA DE CONVERSA FIADA PARA ATRAVESSAR A PANDEMIA.
PAREM AS MÁQUINAS! O PRÊMIO OFF FLIP DE LITERATURA 2020
O SELO OFF FLIP É UMA EDITORA E UM NÚCLEO DE ATIVIDADES LITERÁRIAS.
LOCALIZADA EM PARATY E COMANDADA PELO ESCRITOR OVÍDIO POLI JÚNIOR, HÁ 15 ANOS ELA
REALIZA O PRÊMIO OFF FLIP DE LITERATURA, SEMPRE PUBLICANDO EDIÇÕES QUE REÚNEM AS
AUTORAS E OS AUTORES CLASSIFICADOS A CADA ANO.
TIVE O PRAZER DE PARTICIPAR DAS EDIÇÕES DE 2009, 2014 E 2018. E
AGORA, EM 2020, ESTOU PARTICIPANDO MAIS UMA VEZ, COM TEXTOS EM POESIA, CRÔNICA
E CONTO.
MEU PRESENTE DE NATAL FOI RECEBER OS LIVROS DA EDIÇÃO DE 2020: PAREM
AS MÁQUINAS - POESIA E OUTROS TEXTOS, E PAREM AS MÁQUINAS - CONTO E CRÔNICA.
E HOJE EU VOU LER A MINHA POESIA CLASSIFICADA.
ONDE
calma,
ele já volta, foi só buscar a lâmpada e os comprimidos
não é um adeus, ainda há desejos esfarelados que não saltaram pela janela
olha ali no canto
não é a infância abanando o rabo?
o gol, os tecidos, a xícara emprestada de açúcar,
os ossos
calma,
os silêncios já vêm te ninar, desossar teus tímpanos
ele vai calafetar as frestas, os medos, as cáries, a voz do pássaro cego
olha ali no canto
não é o cão vomitando vogais?
calma,
esquece o choro, engole o frio
não são seus passos subindo a escada?
vem, anda, alinhava teu pesponto, teu sono forrado de pregos
estende a mão: fura bolos, mata piolho, pai de todos
cadê o homem que estava aqui?
BEIJOS, NÃO SAIAM DE CASA SEM MÁSCARA E EVITEM
AGLOMERAÇÕES PORQUE A CONTAMINAÇÃO POR COVID SÓ AUMENTA... E VIAJEM PELA IMAGINAÇÃO
DA IMAGINAÇÃO.
DEPOIS DE MANOEL DE BARROS, MAIS UM POETA DO
NADA, MANUEL BANDEIRA, QUE DECLAROU NUM POEMA: SOU POETA ,MENOR, PERDOAI. BANDEIRA
TAMBÉM SOUBE CONSTRUIR SUA POESIA SOBRE FATOS MENORES, AS PEQUENAS COISAS COTIDIANAS
, ATINGINDO UMA SIMPLICIDADE TÃO BEM CONSTRUÍDA QUE FEZ SUA POESIA ATRAVESSAR
OS TEMPOS.
Poema só para Jaime Ovalle
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei
pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinqüenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)
A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...
- Mas o menino ainda existe.
Andorinha lá fora está dizendo:
— "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa . . .
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
PATAVINA’S APRESENTA
POESIA PRATO DO DIA
LITERATURA E CONVERSA FIADA
PARA ATRAVESSAR A PANDEMIA
A POESIA ANDA
DE BONDE.
DOS 2 AOS 7
ANOS EU MORAVA EM FRIBURGO E A COISA QUE EU MAIS ADORAVA FAZER QUANDO VINHA AO
RIO ERA ANDAR DE BONDE. QUANDO VIM MORAR AQUI AOS 7 ANOS, ACABARAM COM OS
BONDES. ELE AINDA SOBREVIVE, SEMPRE ATACADO PELO ESTADO, NO BAIRRO DE SANTA
TERESA. E A POESIA TAMBÉM ANDOU MUITO DE BONDE. DRUMMOND, POR EXEMPLO, VÊ O
BONDE NO PRIMEIRO POEMA DE SEU PRIMEIRO LIVRO, O POEMA DE SETE FACES, ONDE UMA
ESTROFE DIZ:
O bonde passa
cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
JÁ SEU SONETO
DA PERDIDA ESPERANÇA COMEÇA ASSIM:
Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
E NO SEU FAMOSO POEMA “JOSÉ”, ELE
DIZ:
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
QUEM TAMBÉM É
PASSAGEIRO DO BONDE É MANUEL BANDEIRA, EM SEU POEMA PROFUNDAMENTE:
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
E O ESCRITOR MODERNISTA ARGENTINO OLIVÉRIO GIRONDO
ESCREVEU O LIVRO “20 POEMAS PARA LER NO BONDE”, QUE ESTÁ PUBLICADO NO BRASIL
PELA EDITORA 34. OLHANDO O RIO, GIRONDO FALA DE UM BONDE DIFERENTE:
“A cidade imita um papelão uma
cidade de pórfiro. Caravanas de montanhas acampam nos arredores. O Pão de
Açúcar basta para adoçar a baía inteira. o Pão de Açúcar e seu teleférico que
há de perder o equilíbrio por não usar uma sombrinha de papel “
OUTRO LUGAR POR ONDE O BONDE
SEMPRE PASSOU FOI A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA.
COMO NA MARCHINHA DA DUPLA ALVARENGA E RANCHINHO.
Seu condutor,
dim, dim
Seu condutor, dim, dim
Pare o bonde pra descer o meu amor
E A MARCHINHA CONTINUA,
APRESENTANDO ALGUNS BONDES DO RIO.
E o bonde da
Lapa é cem réis de chapa
E o bonde Uruguai duzentos que vai
E o bonde Tijuca me deixa em sinuca
E o praça Tiradentes não serve pra gente
E TEMOS AINDA O
REFRÃO DO SAMBA DE WILSON BATISTA E ATAULFO ALVES:
O BONDE SÃO
JANUÁRIO LEVA MAIS UM OPERÁRIO
SOU EU QUE VOU
TRABALHAR.
... QUE MEU
PAI, TRICOLOR DOENTE, PARODIAVA:
O BONDE SÃO
JANUÁRIO LEVA UM PORTUGUÊS OTÁRIO
PRA VER O VASCO
APANHAR.
E EU CONTINUO
SONHANDO COM O BONDE DA MINHA INFÂNCIA, PORQUE TUDO NA VIDA É PASSAGEIRO, MENOS
O CONDUTOR E O MOTORNEIRO.
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| Mário de Andrade |
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| Grande Otelo, fazendo Macunaíma do cinema. |
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| Cena da peça de Antunes Filho. |
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| Portela leva Macunaíma para a avenida. |
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| Nova edição de Macunaíma: editora Ubu. |