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terça-feira, 22 de junho de 2010

CAROS AMIGOS

Lá vai minha crônica da revista Caros Amigos de junho, que já está nas melhores bancas do ramo.

Pai Zidane de Ogum revela:

QUEM VAI GANHAR A COPA!

Vamos lá, Brasil, todos juntos, mas em fila indiana senão vira zona!

ABERTURA
O destaque da festa é a seleção da Coreia do Sul explicando como diferenciar seus jogadores dos da Coréia do Norte. E vice-versa.
Surpresa: Neimar e Ganso estão na Copa! Um grupo separatista sérvio sequestrou os dois, levou-os pra lá e, pra libertá-los, exige a devolução de Montenegro, do Kosovo e do imposto de renda do ano passado.

OITAVAS DE FINAL
No intervalo do jogo com a Argentina, a seleção grega invade o vestiário adversário e bate a carteira de Maradona. É que com a crise grega o FMI embolsou a grana que era pra pagar o hotel.

A FIFA permite que os atletas atuem de terno e boné, dando mais espaço pras seleções venderem publicidade. É permitido também que os apitos dos juízes toquem jingles ao serem soprados.

QUARTAS DE FINAL
Camarões, a grande surpresa da Copa, é eliminado. Seus três craques - Mukeka, Bobó e Caruru - não passam no exame antidoping porque estão com o prazo de validade vencido.

SEMIFINAL
Por fim Neimar e Ganso são libertados e jogam! Mas é pela seleção de Honduras. Eles comem a bola e desclassificam o Brasil.

Na outra partida, Eslovênia e Eslováquia se juntam, formam a Eslovaquênia e derrotam a Alemanha. Em represália o papa invade o campo e excomunga os eslovaquênios.

FINAL
A Nike decide que a final será EUA x Irã, pra dar mais emoção e renda. Mas logo aos dez minutos um zagueiro iraniano acerta uma bolada nas torres gêmeas da mulher do Obama, que assiste o jogo atrás do gol. Os americanos protestam, o tumulto se generaliza e tem início a Terceira Guerra Mundial.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

CAROS AMIGOS



Essa é a minha crônica do mês de abril na revista Caros Amigos, que já se encontra nas melhores bancas do ramo! Este número traz várias matérias sobre cultura brasileira: uma entrevista com o ministro da cultura Juca Ferreira, o escritor Paulo Lins falando de literatura, cinema e Rio de Janeiro, e o cartunista da nova geração André Dahmer. E mais: a destruição da mata atlântica na Juréia, Bezerra da Silva e os 13 anos de existência e resistência da revista. Sem falar na seleção brasileira de articulistas, pra Dunga nenhum botar defeito.

REVISTA CARAS... AMIGAS

O SUPLEMENTO RICO E CHIQUE DA CAROS AMIGOS

(no próximo número sairemos em inglês e papel couché,
para nos diferenciarmos do resto da revista)


Editores: Gisélio Bunchen & Cesar Cardoso


Saiu a Coleção “Para Entender O Brasil”, com os depoimentos dessa gente humilde, que vontade de chorar! Volume um: Porque Eu Amo Morar Numa Favela que Desaba e Inunda. Volume dois: Porque Eu Adoro Trabalhar de Camelô em Vez de Ter Carteira Assinada e Aposentadoria. E volume três: Porque eu Sou Apaixonado Por Vender Droga em Vez de Estudar. Finalmente nós, da elite, vamos entender essa gentalha (e descobrir que eles não têm jeito mesmo).

E já que, por falta de assunto melhor, estamos falando do povinho, pesquisa: responda depressa, o brasileiro é um povo pacífico ou atlântico?

Amiga participativa: saíram as novas palavras de ordem pra você desfilar sua coleção outono/inverno nos Jardins: “Paz na Terra! Viva a Batalha Naval!” “Basta de basta. Agora é Bosta!” E: “Nem mais um dia: liberdade aos frangos de padaria!”

Um pouco de economia. Preocupados com a ascensão dos pobres ao mundo do consumo, os bancos lançaram uma linha de crédito popular para a compra da dignidade própria. O kit completo vem com diploma universitário que dá direito à prisão especial. Vamos lá, miserável, não perca a sua chance de dizer: “sabe com quem está falando?”

E o Brasil, hein? Corrupção, vá lá. Agora, ascensão social dos pobres? Francamente! Mas otimismo, my friends, otimismo. O planeta vai esquentar? Oba, vamos vender ar condicionado. Vai ter enchente pra todo lado? Oba, vamos vender bóia. Vai desabar tudo? Oba, vamos vender material de construção!

É isso aí. Liberdade, liberdade: abre as patas sobre nós!

segunda-feira, 22 de março de 2010

MEUS CAROS AMIGOS

Segue minha crônica mensal na revista Caros Amigos. O número de março traz: lixo radioativo em plena capital paulista. Entrevista com o escritor Milton Hatoum. Lugar de mulher é na política! A Universidade dos Trabalhadores. E a seleção brasileira de craques da palavra e da opinião independente. Já à venda nas boas bancas do ramo!

A ORIGEM DA ESPÉCIE

Por Cesar Cardoso (mas pode chamar de Charles Darwin)

Época: cerca de 90 mil anos atrás. Uma espécie relativamente nova se desenvolve nas estepes africanas. Ela se chama Homo Sapiens e aprende a construir ferramentas de pedra. Por algum motivo que não se sabe ao certo, o homo sapiens percebe que não pode mais ficar restrito ao continente africano, sob pena de se extinguir. Talvez em algum lugar de seus cérebros eles tenham registrado o desaparecimento de seu antecessor, o homo erectus. Seja lá o que for, algo dentro deles os impele a sair, a procurar outras terras, outros climas, para que sua espécie possa se expandir. Eles então empreendem a maior aventura de sua existência: a migração para a Europa. Enfrentam desertos com temperaturas escaldantes. Enfrentam a fome e o frio de uma nova era glacial. Enfrentam feras até então desconhecidas. Enfrentam a si mesmos, medindo sua resistência a tantos desafios. E superam tudo isso, em busca da sobrevivência da espécie. Chegam por fim às portas da Europa. Lá encontram dois exemplares de uma espécie muito semelhante a deles. E os exemplares conversam.

- Ô Berlusconi, esses carinhas tão dizendo que são homo sapiens, uma espécie nova e que têm que imigrar aqui pra Europa pra sobreviver. Isso tá me cheirando a safadeza.

- Claro, Sarkozy! Tu vai acreditar na conversa fiada dessa gentalha? Mete a polícia em cima deles.

E foi assim que há dez mil anos atrás o Homo Sapiens entrou em extinção. Em seu lugar se originou uma outra espécie, parecida e descendente daqueles dois sujeitos parados lá nas portas da Europa.

Cesar Cardoso é escritor e quando crescer quer ser Homo Sapiens.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

MEUS CAROS AMIGOS

Aí vai a minha crônica na revista Caros Amigos do mês de janeiro, que já se encontra nas boas bancas do ramo. No número desse mês, Irmã Geraldinha: mais uma freira na mira do latifúndio; o Partido Pirata – contra as patentes do capitalismo; entrevista com Letícia Sabatella. E o time de craques de sempre, como Emir Sader, Frei Betto, Joel Rufino dos Santos e muito mais.

UM HERÓI


Lutei o bom combate. E ele era tão bom e justo e nobre, que eu seguia lutando mesmo com a chegada da noite, dos ventos, das tempestades. E, em meio às trevas, só reconheci meu próprio irmão quando o trespassei com a espada, julgando ser um inimigo.

Aquilo caiu sobre mim como uma maldição. Eu derramara o sangue do meu sangue! Mas o bom combate precisava de mim. E voltei a lutá-lo. E dessa vez matei meu pai. Para melhor lutar o bom combate, ele se disfarçara de árvore. Como era uma árvore que não crescia em nossa floresta, tomei-a por uma vegetação inimiga e trespassei-a com a espada. Quando a árvore me disse: “filho, o que fizeste?”, tive consciência de minha nova tragédia.

Sem poder encarar os companheiros e a família, parti. Mas nem o coração dilacerado me impediu de seguir lutando o bom combate. Disfarçado, invadi o território inimigo aleijando, trucidando e matando. Mapeei, uma por uma, as nascentes de água que abasteciam sua capital. E numa só noite, mesmo com a chegada dos ventos e das tempestades, envenenei toda a água. De madrugada escutei os gritos dos que morriam. E ao amanhecer entrei, triunfante, na cidade dominada. Corpos e mais corpos jaziam nas ruas. E pude reconhecer ali minha mãe, minhas irmãs, meus filhos e meus vizinhos. Todos mortos, envenenados. Eu não sabia que nós havíamos ganhado a guerra e invadido a cidade uma semana antes.

Me deixei ficar para ser capturado pelo inimigo que voltava. Eles me pegaram, me carregaram pelas ruas cheias de sangue enquanto davam vivas ao seu salvador. Agora sou o maior herói da História. Pelo menos da História que eles repetem diariamente em seus livros escolares.

(O autor desse texto foi dispensado de lutar o bom combate por ter pé chato.)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CAROS AMIGOS


Eis aí a minha crônica mensal da revista Caros Amigos, que já se encontra nas boas bancas do ramo. Nesse número: a polícia tem licença pra matar? Por que continuam as capitanias hereditarias? (Em defesa do MST). A periferia de Sampa também vai explodir. Aposentadoria: a esmola nossa de cada dia. E muito mais.


EI, VOCÊ VIU DEUS POR AÍ?


Está provado: Deus existe.

E não foi preciso discussão mística nem prova científica, nada. Um belo dia o céu se cobriu de nuvens escuras e quando todos pensavam que mais um temporal ia parar São Paulo, um monte de anjos com espadas de fogo e outros apetrechos bíblicos desceu do céu, interrompeu o William Bonner e anunciou: - ó, Deus vem aí falar com vocês.

E Ele veio. E falou pras tevês do mundo todo, pra não dizerem que estava privilegiando essa ou aquela emissora. E recordou os seis dias em que criou o universo. Ô semaninha agitada! E se lembrou das conversas com Adão e Eva (evitem coisas com M: maçã, maconha...). E rememorou sua fase minimalista, quando escreveu os mandamentos. E ainda os conselhos que deu a Jesus (se beber na ceia, não dirija!), a Santa Inquisição... Não, esse pedaço Ele pulou. E foi logo pro motivo de sua vinda.

E Deus disse com todas as letras que está de saco cheio da humanidade. Já enviara dicas, indiretas, sinais, mas nem com o tsunami que mandou há cinco anos a gente se tocou. Agora, ou tomamos jeito ou Ele vai levar todas as formas de vida pra Marte e recomeçar por lá, sem a gente por perto pra atrapalhar.

Nem a morte de Jesus repercutiu tão fundo na humanidade. Todos querem se converter. Deus gostou, mas surgiu um problema: para qual religião? E os líderes religiosos correram pra falar pessoalmente com Ele. Mas na porta do Hilton onde Deus e sua comitiva se hospedaram, já estavam políticos de todo o planeta fazendo fila pra tirar foto com o Todo-Poderoso. E corria o boato que na suíte divina representantes da Disney, da Microsoft, da Coca-Cola e da Nokia apresentavam suas ofertas para patrocinar Deus.

Mas um anjo que saía pelos fundos do hotel teria dito ao William Bonner que Deus não está mais entre nós e foi visto se reunindo com castores, golfinhos e outros animais e mandando eles construírem uma arca.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

- LHUFAS - coisa com coisa nenhuma –

Essa é a minha crônica do mês na revista Caros Amigos, que já está nas bancas à sua espera. Vai logo lá, seu preguiçoso!

TEMPORARIAMENTES


Eu sabia porque se chama carioca da gema quem nasce no Rio, sabia a escalação de Fluminense e Bangu na final de 64, sabia o que quer dizer blue moon. Mas pela manhã ao acordar fui acertar o relógio, os ponteiros me acertaram primeiro e esqueci tudo isso. Do que ainda lembro? Da emoção do primeiro caderno encapado com papel de seda azul. Ah, sim! Me lembro que o homem aprendeu a voar com Santos Dumont e a mulher com Fred Astaire. Ou terá sido ao contrário? O muro de Berlim, o império romano, as torres gêmeas, Teresinha de Jesus. Quem desses reconheceu a queda e não desanimou? Quem levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima? Que praga destruiu a primavera de Praga?

Tudo tão difícil. A memória vem do latim, sim, mas vai para onde? Quantas vezes por dia é preciso morrer pra continuar vivo? Quantas memórias precisamos perder? Em que tempo?

Um ano, por exemplo. O intervalo de tempo correspondente a uma revolução da terra em torno do sol. Ou bissexto ou letivo ou lunar. Talvez o tempo de gestação das girafas, de se fechar balancetes, de se parir e embalar Mateus.

Mas em alguma dobra da memória, que é o nosso tempo, existe um certo ano-luz sem nenhuma ciência que lhe dê conta. Uma revolução - não da terra – marítima, com seu ritmo que nenhum piano alcança, incabível - e como dança! E lá talvez esteja tudo que precisamos de preciso e impreciso: ligar o rádio, buscar a sintonia, o que vai ficando nos álbuns do olhar, tatuagens que não se vê, lã de vidro na ampulheta sem tampo nem fundo, escorre nos corpos - tão macia...

Quanto tempo terá levado até que o primeiro homem fizesse o primeiro armário e deixasse aberta a primeira gaveta à esquerda onde se encontra - quem sabe? - um bilhete esquecido dizendo bom dia?

Ventar e inventar folhinhas, memórias. O calendário vai pras calendas. Os relógios partem e se partem. Estamos com a corda toda, despertamos a madrugada e anunciamos aos galos: o ano domini!

E o tempo segue nos dominando.

Cesar Cardoso perde tempo escrevendo.