quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
sexta-feira, 4 de junho de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
“NÚNCARAS” – po+es+ia
SONETO HIPOCONDRÍACO
Leia duas vezes ao dia, após as refeições. Caso não desapareçam os sintomas, consulte seu médico.
allegra afrin cewin ascaridil
cataflan riopan sinvastatina
caltrate pinavério soapelle
higroton hidrocin metiformina
bisolvon hipoglós dermotivin
minâncora malvona rocaltrol
airclin nebacetin polaramine
novacort gelol cetocozol
vaporub plasil moduretic
fenoterol panotil buscopan
tylenol cloridrato lexotan
feldene diprosone zyloric
clobetasol bromoprida plasil
bepantol flixonase floratil
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
“NÚNCARAS” – po+es+ia
AGENDA
1.
não peça
tome
assalte
onde há luz
leve
o blecaute
no poema
só se vence
por nocaute
2.
pode parar de prever
pra morte não tem
plano B
3.
o que fica
foi
tudo
que não
fiz
esta vida
por um quase
este quase
por um triz
4.
tudo que vibra
nada que tinge
nunca que sangra
sempre que fere
pra ficar nu
só depois de arrancar
a pele
5.
não anote
mais nada
na agenda
o importante
ninguém
desvenda
não registre
a hora ou o dia
anoiteça
você mesmo
sua agonia
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
RIO DE VERSOS
ELEGIA CARIOCA
Nesta cidade vivo há 40 anos
há 40 anos vivo esta cidade
a cidade me vive há 40 anos.
Sou testemunha
cúmplice
objeto
triturado confuso agradecido nostálgico
Onde está, que fugiu, minha Avenida Rio Branco
espacial verdolenga baunilhada
eterna como éramos eternos
entre duas guerras próximas?
O Café Belas-Artes onde está?
E as francesas do bar do Palace Hotel
e os olhos de vermute que as despiam
no crespúsculo ouro-lilás de 34?
Estou rico de passarelas e vivências
túneis nos morros e cá dentro multiplicam-se
rumo as barras-além-de-tijuca imperscrutáveis
Sou todo uma engenharia em movimento
já não tenho pernas: motor
ligado pifado recalcitrante
projeto
algarismo sigla perfuração
na cidade código
Onde estão Rodrigo, Aníbal e Manuel
Otávio, Eneida, Candinho, em que Galeão
Gastão espero o jato da Amazônia?
Marco encontros que não se realizam
na abolida José Olympio de Ouvidor
Ficou, é certo, a espelharia da Colombo
mas tenho que tomar café em pé
e só Ary preserva os ritos
da descuidada prosa companheira
Padeiros entregam a domicílio
o pão quentinho da alegria
o bonde leva amizades motorneiras
as casas de morar deixam-se morar
sem ambição de um dia se tornarem
tours d’ivoire entre barracos sórdidos
o rádio espalha no ar Carmem Miranda
a Câmara discursa
os maiôs revelam 50%
mas prometem bonificações sucessivas
Getúlio sorri, baforando o charutão
Rio diverso múltiplo
desordenado sob tantos planos
ordenadores desfigurados geniais
ferido nas encostas
poluído nas fontes e nas ondas
Rio onde viver é uma promissória sempre renovada
de classe média
enquanto multidões penduradas nos trens elétricos
na indistinção entre vida e morte
futebol e carnaval e vão caindo
pelo leito da estrada os morituros
Ser um contigo, ó cidade,
é prêmio ou pena? Já nem sei
se te pranteio ou te agradeço
por este jantar de luz que me ofereces
e a ácida sobremesa de problemas
que comigo repartes
no incessante fazer-se, desfazer-se
que um Rio novo molda a cada instante
e a cada instante mata
um Rio amantiamado há 40 anos.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
“NÚNCARAS” – po+es+ia
eu riobaldo
tu macunaímas
ele macabéia
nós matragamos
vós capitus
eles policarpam
RIO DE VERSOS
Os poetas já fizeram e continuam fazendo a sua parte: um Rio de Versos. Quando é que os cariocas vão tomar vergonha na cara e encher essa cidade com os poemas dedicados a ela?
No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia
Oswald de Andrade
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
PATAVINA’S NEWS
Nosso franco atirador Jean Prévert, diretamente de seu posto avançado em New York.
Le temps perdu / O tempo perdido
Devant la porte de l’usine / Em frente ao portão da fábrica
le travailleur soudant s’arrête / o operário para de repente
le beau temps l’a tiré par la veste / o tempo bom puxou-lhe pelo casaco
et comme il se retourne / e como ele se vira
et regarde le soleil / e olha o sol
tout rouge tout rond / bem vermelho bem redondo
il cligne de l’oeil / ele pisca o olho
familièrement / de um jeito familiar
Dis donc camarade Soleil / Diga lá camarada Sol
tu nes trouves pas / você não acha
que c’est plutôt con / uma puta esculhambação
de donner une journée pareille / dar um dia como esse
à um patron? / a um patrão?
Jaques Prévert
Oi, Cesar,
Estou mais uma vez sentado aqui na Grand Central Station, ouvindo os trens chegarem e partirem, tentando inutilmente reviver os bondes da infância, e te escrevendo. Me lembro bem quando meu pai escreveu o poema Le Temps Perdu, que eu traduzo canhestramente (convivendo com o inglês novaiorquino, esqueço o francês, desaprendo o português e vou acabar mudo). Eu cursava a quarta série e fazia um daqueles belos dias de junho. Estávamos só os dois em casa, minha mãe fora pra Nice cuidar de minha avó, que morreria dois meses depois. Ele me acordou, fez o café para nós dois, pôs o café na xícara, pôs o leite na xícara com café, pôs o açúcar e meia hora depois saímos para ele me deixar na escola. Eu tinha prova de matemática e comecei a ficar preocupado quando meu pai deu de cara com aquele dia de sol e resolver ir a pé. Foi batata, como vocês aí dizem (ou diziam, não sei bem): nos atrasamos e o portão da escola já estava fechado. Eu ensaiei um choro e meu pai começou ali mesmo a fazer o poema, primeiro me pondo para conversar com o sol e fazendo a voz e o jeito de andar do sol. Ele era um irresponsável bem divertido e eu esqueci da prova. E dali fomos para o centro, onde haveria uma passeata, não me lembro de quem e muito menos contra o quê. Lembro sim que chegamos na passeata e ele logo encontrou um amigo fotografando. Era simplesmente Robert Doisneau fazendo um ensaio sobre passeatas para a revista Life. Logo em seguida chegou Henri Cartier Bresson, os dois iam trabalhar juntos. Mas cada um a seu jeito, é claro. Então Henri, munido de uma inacreditável quantidade de filmes, tratou logo de se embrenhar no meio dos manifestantes, enquanto Doisneau e meu pai, munidos de uma sede também inacreditável embrenharam-se no bar da esquina e ali se puseram a conversar e beber copos e mais copos de vinho. Pediam sanduíches, davam o pão pros cachorros e comiam o recheio de pastrami com mostarda preta. O bar ficava na esquina por onde todo mundo chegava para a passeata e assim a mesa ia se enchendo, esvaziando e tornando a encher enquanto a passeata acontecia. Falou-se de tudo, de poesia à revolução, passando pela fabricação de guarda-chuvas e pelas vantagens ou desvantagens do sexo a três. Lá pelo meio da tarde, quando a passeata chegava ao fim (exatamente ali onde estávamos) Doisneau se lembrou do que viera fazer e saiu para fotografar. E meu pai misturou minha fracassada ida à escola com aquela manifestação, para dar a forma final ao poema Le Temps Perdu.
Patavinese-se e abracadabraço do
Jean Prévert
“NÚNCARAS” – po+es+ia
recordação dos ex-alunos da cultura inglesa
turma de 1963
1.
THE DREAM IS OVER
your head
you just have to jump
and catch
2.
ilha de wright tomada pt
cabeças cortadas vg
línguas a prêmio PT
a música não toca mais PT
seguimos
perseguindo
submarino
amarelo
3.
beatlemaníaco depressivo
psicodelicamente
rabisco um cisco
no olho da lua
na rua cheia
tudo se move
nada me comove
a vida roda em vt
um vulto da nossa história
agarra a glória & ninguém vê
Este poema foi publicado no livro A Nossa Moranguíssima Paixão,
publicado pela Editora da UERJ em 1994.
É republicado agora que os Beatles estão cheios de relançamento
e já se pensa até em ressuscitar o John Lennon.
Só falta a Yoko autorizar.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
IMPRESSÕES DIGITAIS
Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos.
“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra! Bocarra que urra!
Foge da Ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”
Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou um dia sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta, galunfante.
“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu.
Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos.
O poema “Jaguadarte” é de Lewis Carroll e está em seu livro Alice Através do Espelho. A tradução dos versos foi feita por Augusto de Campos e está incluída em “Aventuras de Alice”, lançado pela Summus Editorial. A obra, em tradução do poeta Sebastião Uchoa Leite, que morreu em novembro de 2003, reúne Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho e outros textos de Carroll, além de fotos suas.
A partir deste poema épico, satírico, Carroll desenvolve a teoria da palavra-valise, em que dois ou mais vocábulos formam uma nova palavra. Esta é a chave para a leitura do texto (uma delas, pelo menos) e um recurso que seguirá sendo usado pelos poetas.
Não sei se o livro ainda é encontrável nas melhores livrarias do ramo, mas certamente os sebos da cidade ainda guardam edições para quem se interessar. Vale a pena. Esse é mais um grande trabalho de Uchoa Leite. Ele afirma na introdução que escreveu: “Que os dois livros mais celebrados de Carroll, Alice in wonderland e Through the loooking-glass, sejam livros para crianças é verdade muito relativa. Na época, talvez. Hoje, mais de um século depois que foram publicados, são cada vez mais leituras para adultos. Também se foi compreendendo que não são apenas caprichosas fantasias. Pois não há nada por trás dos enredos e personagens desses dois livros que não esteja rigorosamente referenciado, seja através de dados da própria existência de Carroll, seja através de inúmeras alusões literárias, científicas, lógico-matemáticas, etc”
terça-feira, 25 de agosto de 2009
“NÚNCARAS” – po+es+ia
“Tecendo a manhã” e “Galo Galo” nos trazem dois poetas e muitos galos. Galos individuais e coletivos, galos pesando sua arquitetura ou arquitetando seu pensamento, sua voz. De que falam os galos? De seu próprio grito? Do que ele – grito – faz surgir? Serão parentes do elefante que Drummond constrói?
TECENDO A MANHÃ
João Cabral de Melo Neto
1
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
2
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
GALO GALO
Ferreira Gullar
O galo
no saguão quieto.
Galo galo
de alarmante crista, guerreiro,
medieval.
De córneo bico e
esporões, armado
contra a morte,
passeia.
Mede os passos. Pára.
Inclina a cabeça coroada
dentro do silêncio
— que faço entre coisas?
— de que me defendo?
Anda
no saguão.
O cimento esquece
o seu último passo.
Galo: as penas que
florescem da carne silenciosa
e duro bico e as unhas e o olho
sem amor. Grave
solidez.
Em que se apóia
tal arquitetura ?
Saberá que, no centro
de seu corpo, um grito
se elabora ?
Como, porém, conter,
uma vez concluído,
o canto obrigatório ?
Eis que bate as asas, vai
morrer, encurva o vertiginoso pescoço
donde o canto rubro escoa
Mas a pedra, a tarde,
o próprio feroz galo
subsistem ao grito.
Vê-se: o canto é inútil.
O galo permanece — apesar
de todo o seu porte marcial —
só, desamparado,
num saguão do mundo.
Pobre ave guerreira!
Outro grito cresce
agora no sigilo
de seu corpo; grito
que, sem essas penas
e esporões e crista
e sobretudo sem esse olhar
de ódio,
não seria tão rouco
e sangrento
Grito, fruto obscuro
e extremo dessa árvore: galo.
Mas que, fora dele,
é mero complemento de auroras.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
CESAR NA REDE
Caderno de exercícios literários do aluno Cesar Cardoso
Assinale as alternativas corretas.
1 - Minha terra tem...
A) Esse coqueiro que dá coco;
B) Um rio que passou em minha vida;
C) Margens plácidas;
D) Um rancho fundo bem pra lá do fim do mundo.
2 - ... onde canta...
A) O tico-tico no fubá;
B) O assum preto;
C) O carcará;
D) El nombre del hombre muerto.
3 - As aves daqui não... como as de lá.
A) Crocitam;
B) Palram;
C) Grasnam;
D) Cricrilam.
4 - Identifique o sabiá.
A) Ave fringilídea (Zonotrichia capensis), de coloração parda e pintada de preto no dorso alto;
B) Ave catartidiforme (S. bouvreil pileata) de cabeça pelada, que se alimenta de carnes em decomposição;
C) Ave tiranídea (Pitangus sulphuratus), de coloração pardo-olivácea;
D) Ave caradriídea (Chilensis cayennensis) de coloração cinzento-clara, com ornatos pretos na cabeça, peito, asa e cauda.
Este poema é um de meus textos sobre a famosa Canção do Exílio e está no caderno especial sobre o tema, Sabiás e Exílios, que Silvana Guimarães e Mariza Lourenço organizaram no site Germina – revista de literatura e arte. Vale a pena conferir. O endereço é www.germinaliteratura.com.br/sabiaseexilios.htm .
quarta-feira, 15 de julho de 2009
“NÚNCARAS”
e fodia toda tarde na embaixada
a princesa que encantou a seca e meca
tanto jeitinho de moça recatada
e tanto fogo no rabo e na xereca
o príncipe bobo e ob só era sócio
na realeza e na filantropia
tudo parte do mesmo negócio
que não se comparava à putaria
mas que ninguém condene a sua rota
quem alegrou plebeus e lançou modas
fez bem em alegrar a própria xota
e que lhe sirva de epitáfio este lamento
a lady que tanto amava as boas fodas
afinal se fudeu sem estar fodendo
O poema A Uma Lady faz parte do trabalho intitulado “O Caderno de Pornographia do Alumno Cesar Cardoso”. Uma primeira parte dele pode ser vista no no site Germina – revista de literatura e arte. O endereço é http://www.germinaliteratura.com.br/
AVISO AOS NAUFRAGANTES
não permita que deus morra
sem que volte para cá
porque me ufano de minha terra
minha terra tem clichês
para quem for versejar
minha terra tem pronomes
e advérbios de lugar
aqui brotam oxítonas
com fim em A pra rimar
também tem adjetivos
mas é melhor não usar
e eu perdido no mapa
sem saber o cá e o lá
O site Germina – revista de literatura e arte, a todo vapor, acaba de publicar o trabalho “Sabiás e Exílios”, organizado pela dupla de editoras Mariza Lourenço e Silvana Guimarães, com poemas que parodiam a “Canção” de Gonçalves Dias, possivelmente o mais famoso poema da literatura brasileira. Além de autores que vão de Casimiro de Abreu a Arnaldo Antunes, passando por Drummond, Murilo Mendes, Oswald de Andrade, Bandeira, Ferreira Gullar, há ainda o poema musicado e o texto “Canções de exílio e evasão: a poética de identidade nacional”, da poeta e professora de literatura Sylvia Cintrão. Enfim, é um belo livro eletrônico, disponível no endereço http://www.germinaliteratura.com.br/. E esse locutor que vos fala modestamente comparece com três trabalhos, dois dos quais reproduzo acima.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
“NÚNCARAS”
Carochinhas Brazileiras
1.
história do brasil
Era uma vez...
2.
a primeira missa
o descampado está limpo
a cruz está pronta
os paramentos do padre, passados
as hóstias, cozidas
quem vamos pegar pra cristo?
3.
de família
thomas staden
irmão de hans
desembarcou na capitania de pernambuco
também capturado pelos índios
acabou devorado
e suas memórias
o vento espalhou na taba
azar distinto do irmão
ou costumes de outra tribo
4.
made in pindorama
sardinhas bispo
as únicas que não contêm catequese
5.
a vinda da família
lá vai uma barquinha carregadinha de...
fujões
6.
santa mãe!
a rainha não diz coisa com coisa
nossa primeira padroeira
7.
família real
rei dangola
quilombola
bom de bola
8.
os mares nunca dantes
desbravar
desbravata
9.
sonhos de uma noite de verão
ah se villegagnon ganhasse
ah se os inglezes had
ah se
ah se
ah se
e a gente aqui
esperando dom sebastião
e aturando tião
10.
my land
preciso juntar moeda
preciso correr preuropa
pra fazer canção do exílio
11.
herança
liberdade liberdade
abre as patas sobre nós
O poema “Carochinhas Brazileiras” foi classificado entre os dez primeiros no Prêmio Off-Flip de Poesia, da Feira Literária de Paraty e será publicado em breve, numa coletânea organizada pelo concurso.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
“NÚNCARAS”
clic
ontem te vi na tevê
no meio de cores & caras
triscateiros vendendo sagüitarras
naturânios babaquários
bostentavam descrediários
cremes & massacrários
falsérios rififando garimpérios
urbelas nosferas maninfetas
fiofóruns frutas trutas & mamutretas
tremilicos bocalculavam
glamores dó-ré-mi-fatais
margente como o quê
o erre o esse & o tê
ontem te vi na tevê
o enterro tava um luxo
& o defunto era você
Poema publicado no Caderno Ideias do Jornal do Brasil, em 1986 e incluído no livro A Nossa Moranguíssima Paixão, publicado pela Editora da UERJ em 1994. O livro está esgotado. E o autor também.
