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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

MEUS CAROS AMIGOS NA MESA 5!

Sai uma crônica estupidamente gelada para quem está de cabeça quente! E não esqueça que nas boas bancas do ramo você encontra a revista Caros Amigos, com esse texto e muito mais. Caros Amigos - nunca do que melhor e melhor do que nunca!

AGENDA 2011

Ano novo: tempo de grandes decisões! Sim, porque não basta abortar o aborto. Temos que descobrir o que um embrião pode comprar, como um feto pode ter seu próprio cartão de crédito e até seu celular intra-uterino, por que não? Vamos sonhar grande, gente! Copa do Mundo e Olimpíada é pouco. Vamos democratizar o maior esporte da humanidade: o genocídio. Impossível? Com garra e perseverança nada é impossível. Que tal uma nova loteria, onde toda semana o feliz sorteado ganhe o direito de matar cem pessoas à sua escolha, hã? E campanhas na internet: “Você também pode matar alguém de fome. Participe, colabore!”

Então, pessoal, temos nas mãos um ano novinho em folha. Vamos lá! Vamos criar bombardeios ecológicos. Isso! Bombas que arrasem os países mas deixem intactas plantas e anglo-saxões. E ofereçam desconto nas emissões de carbono. Já imaginaram? Matar iraquianos e afegãos e ainda despoluir o planeta? É desses exemplos que nossas crianças precisam, para crescer e se tornar cidadãos que lutem pelas melhores tradições de nossa civilização.

E os mortos? Os mortos são muito injustiçados. Só porque alguém morreu não pode mais votar nem comprar nem casar e ter filhos. Está certo isso? Afinal, qual a diferença entre estar vivo ou morto hoje em dia? Você vai dizer que um morto não respira, não se alimenta nem sai andando por aí. Mas com esses engarrafamentos, o ar poluído desse jeito e essas comidas fast-food cheias de glúten e gordura trans, quem é que ainda quer respirar, comer e se locomover? Os mortos é que estão certos. Eles é que são vivos.

Então, pessoal, avisem ao Vaticano, ao Obama e ao G-20 que já temos a agenda para 2011: vamos matar e vamos morrer. Que nem moscas.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MEUS CAROS AMIGOS NA MESA 5!


Aí vai minha crônica da revista Caros Amigos que já está nas boas bancas do ramo.

EM DIANTE

Oi, amor,

Te deixo esse bilhete pra dizer que você tem razão e que eu vou mudar minha vida. Passei a noite em claro e graças à internet pensei muito e já decidi tudo. Querida, lendo meus e mails eu percebi que a motivação pessoal é fundamental para o sucesso e me matriculei no curso de Comentários sobre o Sistema de Apuração Simplificada e o Preenchimento de Suas Fichas.

Você não deve estar acreditando, eu já falei que ia mudar outras vezes, mas agora é pra valer. E foi a internet que me abriu os olhos. A internet! Incrível como as coisas estão na nossa cara e a gente não vê. Mas eu já estou passando por mudanças. Quer ver? Me matriculei no MBA de Ferramentas na Gestão Corporativa e Potencializadora do Diferencial Produtivo Para o Desenvolvimento de Aptidões Empreendedoras.

Por essa você não esperava, hã? Minha transformação é radical, aquela que você sempre brigou pra eu fazer. Sim, porque você pensa que acabou? Não! Também vou fazer o Treinamento em Overview para a Dinâmica de Equipe na Travessia da Administração do Trabalho Gestor. E vou me capacitar para os Dez Conceitos de Justiça por Merecimento e Aprendizado Organizacional na Gestão Praticada. E tem mais: vou implantar os conceitos em foco, assentar parcerias estratégicas para o fechamento e constituir alianças que possibilitem. E também vou oferecer ferramentas específicas de percepção do perfil predador na postura proativa sob situações e vou criar cenários interativos e dialógicos à distância do repertório do olhar do interlocutor. Imagina só, meu bem: do olhar do interlocutor!

Amor, eu sou um novo homem. Você duvida? Pois eu provo: solicitei pra hoje mesmo o programa completo pela Central de Atendimento!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SALTA UMA CAROS AMIGOS NA MESA 5!


Já está nas melhores bancas do ramo a nova edição da revista Caros Amigos. Além deste cronista que vos fala (e cuja a crônica vós podeis ler abaixo), a revista traz: entrevista com o jurista Fábio Konder Comparato, a perseguição ao Funk, a luta política na Venezuela, a destruição contínua do Iraque pelos EUA, as mulheres no Irã, as favelas incendiadas em Sampa e muito mais, sem falar no timaço de colunistas que todo mês dá um show de bola por lá. Vai já na banca comprar. Anda, seu preguiçoso! Depois você lê a minha crônica aí embaixo. Vai!

LEIA ESTA CRÔNICA E VENÇA NA VIDA!

Acabaram-se as eleições, estamos livres dos mentirosos do horário eleitoral e podemos voltar a mentir por conta própria e a qualquer hora. Eu já comecei lá no título da crônica. Você não vai vencer na vida lendo isso aqui nem fazendo coisa alguma. A vida termina sempre com uma derrota chamada morte. E ponto.

Só que essa afirmação também pode ser mentira. A mentira é só uma verdade que esqueceu de acontecer, mas ela vem sendo perseguida através dos tempos. Mentir é feio, é pecado, é anti-ético, é contra-revolucionário. Cada um tem seus motivos pra condenar a mentira e no entanto não fazemos outra coisa a não ser mentir. Acordar e dar bom dia a essa altura da humanidade é mais do que otimismo: é cascata pura. O planeta não tem recursos pra sustentar nosso consumo e a temperatura vai subir até derreter todos nós: bom dia por quê? Além disso, você está indo pra praia, pra um barzinho tomar caipirinhas, pra um cineminha e vai fechar o dia no motel? Ou vai deixar as crianças atrasadas na escola, se meter no metrô lotado e ir pro trabalho, aturar seu chefe? Bom dia? Você só pode estar de sacanagem!

Mas não se desespere: eu minto, tu mentes, ele mente. Eis a verdade nua e crua. Contar lorotas, potocas, patranhas, imposturas, enganos, fraudes ou falsidades já virou até profissão. Está aí a publicidade que não nos deixa mentir, porque mente primeiro e com muita verba. E nem Deus escapa: se Caim mentiu quando Ele perguntou onde estava o Abel, Deus mentiu primeiro, quando fingiu que não sabia. Ele não é onisciente e onipresente?

Então, vamos descriminalizar a mentira já! Afinal, diga a verdade: tem coisa melhor do que mentir?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

SALTA UMA CAROS AMIGOS NA MESA 5!


Saiu do forno o novo número da revista Caros Amigos, com 3 entrevistas quentinhas: Marcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente do IPEA, analisa o país e sua desigualdade histórica. É um prato cheio! E pra matar sua fome de informação, o professor da UFRJ José Luís Fiori fala da atual crise européia. E pra rebater: Inezita Barroso e seus 30 anos no comando do programa “Viola Minha Viola”. De sobremesa: os 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, a nova onda do cinema latinoamericano e a arte nordestina na Feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro. E por conta da casa ainda tem uma porção bem servida de colaboradores. Depois dessa, traz a minha crônica na pressão aí embaixo e fecha a conta! (Mas ainda tem o aperitivo: saiu também um número especial da revista só sobre eleições. Assim não há regime que aguente!)

OS TUPINAMBÁS E A FORMAÇÃO DO NOVO MUNDO EUROPEU

Não foi por acaso que, em 1500, os Tupinambás saíram do porto do Rio de Janeiro e navegaram até as terras do Novo Mundo, batizando-as de Europa. Eles sabiam muito bem o que iam fazer por lá: levar o primeiro processo de globalização ao continente desconhecido.

É verdade que de início se limitaram à retirada do Pau-Europa, mas com o ciclo da beterraba iniciaram a produção de açúcar, que exportaram para todo o Velho Mundo, desde a Argentina até o Canadá. Junto com o lucro vieram os conflitos com os índios europeus – franceses, ingleses, portugueses, espanhóis e os temidos holandeses, que se aliaram aos Xavantes quando estes invadiram o Nordeste da Europa em 1630, liderados por Juruna de Nassau e sua Companhia Xavante das índias Ocidentais.

Nos anos 1700, para explorar o ouro descoberto no interior da Europa, os Tupinambás são obrigados a importar mão de obra estrangeira, já que a indolência do europeu o torna incapaz de trabalhar nas minas. É criado assim o tráfico negreiro para a Europa, que dura até 1888, quando os Tupinambás promulgam a Lei Áurea e dão liberdade a todos os escravos.

No século XX, chegam as guerras de independência, com Churchill, De Gaulle, Stalin e outros líderes terroristas sacudindo uma Europa até então pacífica. E se no século XXI já não há mais colônias, há os populistas como Sarkozy e Berlusconi oferecendo milagres à população.

Mas a dura realidade histórica é que nada disso altera o quadro do subdesenvolvimento europeu. Afinal, seria ele resultado de séculos de imperialismo tupinambá ou do inóspito clima frio do continente somado à preguiça natural dos índios, sejam eles ingleses, portugueses, franceses ou alemães?

Cesar Cardoso é historiador e leciona na University of Tchucarramãe.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

MEUS CAROS AMIGOS


Aí vai minha crônica de fevereiro na revista Caros Amigos, que já está nas boas bancas do ramo e traz uma entrevista com o educador Moacir Gadotti, a polêmica sobre a caixa preta da ditadura, que a direita não quer abrir, a crise capitalista e planetária, as eleições em 2010, Evo Morales, a arte de pichadores e grafiteiros e o time de craques de sempre com Ana Miranda, Joel Rufino dos Santos, Ferréz e muito mais.


SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO

15/3
Saiu o plano de reestruturação da empresa na Nova Etapa de Superação. E eles explicaram que não houve demissões e sim realocamentos de vínculos.

26/3
Recebi a avaliação da reorganização cambiante. Foi muito bom saber que atingi as metas. Há um mês que me telefonam pela manhã dizendo qual a minha tarefa do dia e em qual dos escritórios ela deve ser realizada. Isso estava me deixando muito inseguro.

13/4
Com o novo plano de carreira não sabemos mais quem são os gerentes. Alguém comentou que caberia a eles controlar o número de vezes que vamos ao banheiro. Mas logo um comunicado-adendo garantiu que o que há é uma medição higiênica inserida nos planos abrangentes de saúde. Deixei para mijar em casa.

30/4
Mudei de cidade pela terceira vez. Minha mulher decidiu se separar. Mas o setor de reengenharia familiar demonstrou que pela alínea b da cláusula 5 do contrato de troca de serviços ela é obrigada a me acompanhar. Não posso negar que fiquei feliz. Até porque eles já haviam negado o visto de co-moradia para meu filho, que teve que ir morar com os avós.

16/5
Tenho bebido muito ao chegar em casa. Foi o que eles disseram.

24/5
Contei ao psiquiatra indicado pelo departamento de felicidade que estou abandonando o emprego, que estou abandonando tudo. Isso mesmo, vou me matar.

25/5
Estive com o psiquiatra ontem à noite e hoje bem cedo recebi um comunicado-adendo avisando que pelas regras flexibilizadas de relacionamento pessoal não estou autorizado a me suicidar e toda a minha família pagará pesadas multas por muitos anos se isso vier a acontecer. Fiquei impressionado com a velocidade com que eles me responderam. Mas o dinamismo era um dos principais pontos do plano de reestruturação da empresa na Nova Etapa de Superação, não era?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

MEUS CAROS AMIGOS

Desde 2005 sou colunista da revista Caros Amigos. Aqui republico algumas das crônicas publicadas lá.

TEU MELHOR INIMIGO


Se a essa hora tardia não há como procurar amigo, pela madrugada que esconde o dia e a coragem ou pelo adiantado das horas do relógio de tua vida, procura teu inimigo. Mas não qualquer um, simples desafeto de bar, adversário da pelada de sábado, antagonista do condomínio, concorrente, rival. Não.

Procura teu melhor inimigo.

Aquele que nunca te foi indiferente. Aquele que com certeza foi grande amigo um dia, ou pelo menos você assim achava, até que ele te traiu, te passou a rasteira, te deu a facada pelas costas. E se ninguém agiu assim contigo, o dia está prestes e ele está à espreita, pronto para o bote. E se você ficar atento, ele saberá esperar, até que tua atenção se canse, esmoreça, cochile.

Porque ele é teu melhor inimigo. Ele te trai, mas compra uma roupa especial pra ocasião. Ele te passa uma rasteira, mas é aquela que ele nunca ensinou pra ninguém, é te mostrando o pulo do gato que ele voa na tua carótida. Ele espera que você se vire, pensando em nada, e te esfaqueia pelas costas, esposteja tua carne, separa tuas costelas, secciona veias, perfura teu pulmão. E o faz com uma adaga moura antiqüíssima e enquanto você agoniza ele ampara teu rosto e te conta dos sultões que possuíram aquela adaga e dos tesouros que mudaram de mão graças a ela e dos bravos que sucumbiram pelo golpe fatal que só ela sabe desferir, independente da mão que a segura. Ela esteve em Roma, entre os Césares, esteve com Gengis Khan, talvez até mesmo nas mãos de Caim. Ela é quem comanda a mão e se a mão não tiver a estirpe necessária, ela cortará, não a tua jugular, mas a própria mão do inimigo para que ele aprenda que não estava a altura do teu ódio, não era digno de teu asco, nunca fora merecedor de tua repulsa, não foi sem seria nunca teu melhor inimigo.

É inútil. Por mais olhos que você tenha ou contrate, você nunca vê teu melhor inimigo chegar. Nunca. Se você pensa que vê, ou tua vista é quem te engana ou tua idéia está variando ou é você inteiro que não conhece teu melhor inimigo. Você ainda vive no engano, no logro, no erro. Mas teu melhor inimigo não erra nem vem te enganar, que pra enganar qualquer inimigo serve. Ele, o teu melhor inimigo, ele vem te desenganar.

É uma paixão esse ódio a que ele dá de comer cotidianamente, como um pássaro, um louva-a-deus. E para amparar tamanho ódio, para construir tanto rancor, ele se dedicou a te conhecer a fundo, como só tua mãe te conhece. Nenhuma amizade tua é capaz dessa dedicação, dessa fidelidade canina, de cão hidrófobo. Ele te prepara uma canção que embosque como dois olhos de felino no escuro. E irá te destruir com a melhor repugnância, o mais alto nojo, a mais dedicada raiva. Com um desprezo fraterno, com uma ira maternal. E mesmo depois de te aniquilar, ele não te esquecerá. Quando ninguém mais lembrar de ti, quando você for nada para o mundo e os que nele vivem, para os que te conheceram, para os que te amaram um dia, para os que choraram tua morte, só teu melhor inimigo irá te ver na tua última morada e cuspir na tua cova e urinar sobre o teu nome, quase apagado na lápide.

Teu melhor inimigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves. E ele há de te guardar debaixo de sete palmos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

MEUS CAROS AMIGOS

Desde 2005 sou colunista da revista Caros Amigos. Aqui republico algumas das crônicas publicadas lá.

Basta de injustiça, chega de exploração:
MAMÃE, EU QUERO MAMAR!


Minha amiga, me faça um favor, ligue a tv, bote em qualquer canal e assista a uns três ou quatro anúncios, a umas duas ou três notícias. Pode ir que eu espero.

Foi? Agora me diga se eu estou errado. Nos anúncios as crianças agem como adultos e os adultos como crianças? Você viu um senador da república roubando descaradamente e defendendo até às lágrimas seu direito de roubar descaradamente? Viu um ministro lá do judiciário ganhando uns 20 mil, se aposentando com os 20 mil limpinhos e reclamando que não tem aumento? Viu milhões de pessoas vivendo numa favela, sem esgoto, hospital e escola, com tiroteio diário e todo mundo saindo de casa pra trabalhar em vez de sair pra tocar fogo na cidade inteira?

Bem, você e o resto da turma eu não sei, minha amiga, mas eu, diante disso tudo, eu pergunto: esses poderosos todos acham que vão me tratar feito criança e eu não vou fazer nada? Pois estão muito enganados! Eu vou fazer birra, vou fazer manha, vou fazer beicinho, vou deitar no chão e espernear! E não vou ficar calado não. Vou chorar bem alto: uééééé! E se você está estranhando, eu explico, minha amiga. É simples: está mais do que provado, está mais do que na cara que eu tenho a idade mental de um bebê. Que outra explicação pode haver para esse mundo ser esse mundo e eu não sair por aí incendiando tudo, como um descendente de Nero, ou cometendo uns três ou quatro genocídios, tal qual uma reencarnação de Átila, de algum papa ou do Stálin?

E já que eu não fiz nada disso, a partir de hoje eu exijo ser tratado como um recém-nascido, um lobotomizado. É, minha amiga, essa aqui é a Declaração Universal dos Direitos de um Zero à Esquerda. E o zero à esquerda sou eu, muito prazer. Chega de ser inocente útil. Eu quero ser um inocente inútil, improdutivo, imprestável e não ter mais responsabilidade nenhuma. Eu não quero saber de restaurante de um real nem de ticket-refeição: eu quero o governador em pessoa aqui em casa na hora do almoço fazendo “olha o aviãozinho” com a colher cheia de feijão. Eu não quero transporte público, eu quero que me levem no colo. Neném gosta é de colinho! É isso mesmo, o Brasil pode tratar de se apertar porque chegou mais um pra ficar deitado eternamente em berço esplêndido: eu! Podem me prender e até me torturar. Minhas únicas declarações serão: papá, mamã, dadi-dudi-dódó!

Mas não se assuste, minha amiga, porque eu também não sou nenhum revoltado inconsequente. De jeito nenhum! Tanto que prometo bater palminha pra todas as declarações dos poderosos. Podem mentir à vontade, podem até cair na gargalhada no meio de seus importantes pronunciamentos. Eu vou também vou rir. Nós, os bebês, somos assim: sempre que a gente vê um adulto rindo a gente ri junto.

E nunca mais vou recitar emocionado: Ah, que saudades que eu tenho da minha infância querida. Sabem por quê? Porque a minha infância querida só vai acabar quando eu morrer bem velhinho. E ainda estarei andando de carrinho e tomando mamadeira. Não quero decidir mais nada, o máximo que eu posso fazer é comprar e comprar e chorar quando escangalhar. Só uma última proposta: em vez de deputados e senadores, a gente devia eleger babás para ocupar o Congresso e a ONU e decidir os destinos da nação e do mundo.

E você é bem capaz de me perguntar: mas quem vai tomar conta dessa criançada? Quem vai gerir o mundo e a humanidade? Ah, sei lá, eu sou pequenininho, não me preocupo com isso não. Não quero mais saber de governantes. Aceito no máximo uma governanta. De preferência uma alemã peituda e mandona. Eu sou que nem o Peter Pan. E quero comer a Sininho. Escrever esse texto foi a última iniciativa que eu tomei na vida. Depois do ponto final eu não tenho mais opinião, só tenho vontade: eu quero! Eu quero! Eu quero! E pronto! Quero liberdade total, vou fazer cocô nas calças e ainda vou esfregar na parede! Não quero bolsa-família, não quero bolsa-escola, não quero cidadania. Tenho uma única reivindicação final, minha amiga: dá a chupeta pro bebê não chorar!