terça-feira, 29 de dezembro de 2020

 

 / POESIA PRATO DO DIA / 

 / POESIA PRA TODO DIA /


NO LINK ABAIXO VOCÊ TEM ACESSO 

A TODOS OS 230 “POESIA PRATO DO DIA”

GRAVADOS DESDE O INÍCIO DA PANDEMIA 

ATÉ 30 DE DEZEMBRO.


https://www.youtube.com/playlist?list=PLtFUw6g9y3jEeJCX_9aczW188XyivsUYB&jct=2lNeFoISrOdc6tgPI3ehpIt-aCESIw



                                                  MUITO PRAZER, BRAULIO TAVARES

 

NESTE DOMINGO, 27 DE DEZEMBRO, NOSSO SERVIÇO DE DELIVERY ENTREGA MAIS UM POESIA PRATO DO DIA A DOMICÍLIO. NO PACOTE, PIZZA DE LITERATURA COM COBERTURA DE CONVERSA FIADA PARA ATRAVESSAR A PANDEMIA.  

 

PAREM AS MÁQUINAS! O PRÊMIO OFF FLIP DE LITERATURA 2020

 

O SELO OFF FLIP É UMA EDITORA E UM NÚCLEO DE ATIVIDADES LITERÁRIAS. LOCALIZADA EM PARATY E COMANDADA PELO ESCRITOR OVÍDIO POLI JÚNIOR, HÁ 15 ANOS ELA REALIZA O PRÊMIO OFF FLIP DE LITERATURA, SEMPRE PUBLICANDO EDIÇÕES QUE REÚNEM AS AUTORAS E OS AUTORES CLASSIFICADOS A CADA ANO.

TIVE O PRAZER DE PARTICIPAR DAS EDIÇÕES DE 2009, 2014 E 2018. E AGORA, EM 2020, ESTOU PARTICIPANDO MAIS UMA VEZ, COM TEXTOS EM POESIA, CRÔNICA E CONTO.

MEU PRESENTE DE NATAL FOI RECEBER OS LIVROS DA EDIÇÃO DE 2020: PAREM AS MÁQUINAS - POESIA E OUTROS TEXTOS, E PAREM AS MÁQUINAS - CONTO E CRÔNICA.

E HOJE EU VOU LER A MINHA POESIA CLASSIFICADA.

 

ONDE


calma,

ele já volta, foi só buscar a lâmpada e os comprimidos

não é um adeus, ainda há desejos esfarelados que não saltaram pela janela

olha ali no canto

não é a infância abanando o rabo?

o gol, os tecidos, a xícara emprestada de açúcar,

os ossos

 

calma,

os silêncios já vêm te ninar, desossar teus tímpanos

ele vai calafetar as frestas, os medos, as cáries, a voz do pássaro cego

olha ali no canto

não é o cão vomitando vogais?

 

calma,

esquece o choro, engole o frio

não são seus passos subindo a escada?

vem, anda, alinhava teu pesponto, teu sono forrado de pregos

estende a mão: fura bolos, mata piolho, pai de todos

cadê o homem que estava aqui?

BEIJOS, NÃO SAIAM DE CASA SEM MÁSCARA E EVITEM AGLOMERAÇÕES PORQUE A CONTAMINAÇÃO POR COVID SÓ AUMENTA... E VIAJEM PELA IMAGINAÇÃO DA IMAGINAÇÃO.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

POESIA PRATO DO DIA / POESIA PRA TODO DIA - OS POETAS DO NADA: MANUEL BANDEIRA

 

        POESIA PRATO DO DIA / POESIA PRA TODO DIA

                    OS POETAS DO NADA: 

                     MANUEL BANDEIRA



DEPOIS DE MANOEL DE BARROS, MAIS UM POETA DO NADA, MANUEL BANDEIRA, QUE DECLAROU NUM POEMA: SOU POETA ,MENOR, PERDOAI. BANDEIRA TAMBÉM SOUBE CONSTRUIR SUA POESIA SOBRE FATOS MENORES, AS PEQUENAS COISAS COTIDIANAS , ATINGINDO UMA SIMPLICIDADE TÃO BEM CONSTRUÍDA QUE FEZ SUA POESIA ATRAVESSAR OS TEMPOS.

 


Poema só para Jaime Ovalle

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei,
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

 

 

VELHA CHÁCARA


A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.

Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinqüenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)

A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...

- Mas o menino ainda existe.

 

 

 

ANDORINHA


Andorinha lá fora está dizendo:
— "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa . . .

 

 



O ÚLTIMO POEMA


Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

 

 

sábado, 3 de outubro de 2020

POESIA PRATO DO DIA / POESIA PRA TODO DIA - A POESIA ANDA DE BONDE

 

PATAVINA’S APRESENTA

POESIA PRATO DO DIA

LITERATURA E CONVERSA FIADA PARA ATRAVESSAR A PANDEMIA

A POESIA ANDA DE BONDE.

DOS 2 AOS 7 ANOS EU MORAVA EM FRIBURGO E A COISA QUE EU MAIS ADORAVA FAZER QUANDO VINHA AO RIO ERA ANDAR DE BONDE. QUANDO VIM MORAR AQUI AOS 7 ANOS, ACABARAM COM OS BONDES. ELE AINDA SOBREVIVE, SEMPRE ATACADO PELO ESTADO, NO BAIRRO DE SANTA TERESA. E A POESIA TAMBÉM ANDOU MUITO DE BONDE. DRUMMOND, POR EXEMPLO, VÊ O BONDE NO PRIMEIRO POEMA DE SEU PRIMEIRO LIVRO, O POEMA DE SETE FACES, ONDE UMA ESTROFE DIZ:

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

JÁ SEU SONETO DA PERDIDA ESPERANÇA COMEÇA ASSIM:

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

E NO SEU FAMOSO POEMA “JOSÉ”, ELE DIZ:

a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

QUEM TAMBÉM É PASSAGEIRO DO BONDE É MANUEL BANDEIRA, EM SEU POEMA PROFUNDAMENTE:

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

E O ESCRITOR MODERNISTA ARGENTINO OLIVÉRIO GIRONDO ESCREVEU O LIVRO “20 POEMAS PARA LER NO BONDE”, QUE ESTÁ PUBLICADO NO BRASIL PELA EDITORA 34. OLHANDO O RIO, GIRONDO FALA DE UM BONDE DIFERENTE:

 “A cidade imita um papelão uma cidade de pórfiro. Caravanas de montanhas acampam nos arredores. O Pão de Açúcar basta para adoçar a baía inteira. o Pão de Açúcar e seu teleférico que há de perder o equilíbrio por não usar uma sombrinha de papel “

OUTRO LUGAR POR ONDE O BONDE SEMPRE PASSOU FOI A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA.  COMO NA MARCHINHA DA DUPLA ALVARENGA E RANCHINHO.

Seu condutor, dim, dim
Seu condutor, dim, dim
Pare o bonde pra descer o meu amor

E A MARCHINHA CONTINUA, APRESENTANDO ALGUNS BONDES DO RIO.

E o bonde da Lapa é cem réis de chapa
E o bonde Uruguai duzentos que vai
E o bonde Tijuca me deixa em sinuca
E o praça Tiradentes não serve pra gente

E TEMOS AINDA O REFRÃO DO SAMBA DE WILSON BATISTA E ATAULFO ALVES:

O BONDE SÃO JANUÁRIO LEVA MAIS UM OPERÁRIO

SOU EU QUE VOU TRABALHAR.

... QUE MEU PAI, TRICOLOR DOENTE, PARODIAVA:

O BONDE SÃO JANUÁRIO LEVA UM PORTUGUÊS OTÁRIO

PRA VER O VASCO APANHAR.

E EU CONTINUO SONHANDO COM O BONDE DA MINHA INFÂNCIA, PORQUE TUDO NA VIDA É PASSAGEIRO, MENOS O CONDUTOR E O MOTORNEIRO.

sábado, 15 de junho de 2019

terça-feira, 29 de maio de 2018


MACUNAÍMA, HERÓI DE NOSSA GENTE

“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente!”

Assim Mário de Andrade começa o romance-rapsódia Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, obra central no modernismo brasileiro, com sua paródia e sua mistura antropofágica de nossos discursos literários e sociais.

A primeira edição do livro é de 1928 e teve míseros 800 exemplares. E a segunda levou quase dez anos para vir a público. Mas, como se reencarnasse as andanças épicas de seu personagem, Macunaíma vai “dandar pra ganhar vintém” e fazer coisas de sarapantar: vira filme, peça de teatro e samba-enredo.

Mário de Andrade

O filme, de Joaquim Pedro de Andrade, surge em 1969 e é considerado por muitos uma obra tropicalista. Heloísa Buarque de Holllanda afirma que “em Macunaíma, segundo Joaquim Pedro, tem-se a estória de um brasileiro que foi ´comido` pelo Brasil. Isto é, pelas relações de trabalho, pelas relações sociais e econômicas que ainda são basicamente antropofágicas. Resumindo, Joaquim afirma ser o seu Macunaíma um filme sobre consumo".

Grande Otelo, fazendo Macunaíma do cinema. 

Em 1978, o diretor Antunes Filho traz Macunaíma para o teatro, numa transposição que mantém a marca de criatividade e ousadia. Ao tom antropofágico, Antunes acrescentou um discurso poético, resgatado da própria obra e levado ao palco.

Cena da peça de Antunes Filho. 

Antes da peça, porém, em 1975, Macunaíma desfilou pela Portela, na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio. Foi no samba-enredo Macunaíma, herói de nossa gente, de David Corrêa e Norival Reis. Mas, como um gigante Pietro Pietra Piaimã, o Salgueiro derrotou nosso herói e venceu o carnaval daquele ano. A Portela chegou em quinto lugar. 

Portela leva Macunaíma para a avenida. 

Talvez cansado de tantas aventuras, nosso herói foi pro céu e virou a constelação da Ursa Maior. No samba, ele se despede assim:
Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação.

No livro, o próprio autor assume que é ele quem conta a história:
“E o homem sou eu, minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história. Por isso que vim aqui. Me acocorei em riba dessas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente.
Tem mais não.”

Mas, em se tratando de Macunaíma, sempre tem mais sim. Sabemos que a qualquer momento nosso herói reaparece. Tanto que a Editora Ubu acaba de lançar uma nova edição do livro, “trazendo as fontes indígenas utilizadas por Mário de Andrade durante sua composição”. Estão incluídos também prefácios inéditos do escritor e um glossário com o significado de cada uma das palavras indígenas que aparecem no texto. E o livro ainda é ilustrado por monotipias do artista plástico Luiz Zerbini.
Nova edição de Macunaíma: editora Ubu.